fbpx

Segurança em condomínio é questão de atitude

O mercado de tecnologia evolui e oferece inúmeras opções de vigilância em condomínios. Desde as câmeras de monitoramento e alarmes até o acesso biométrico, não faltam aparatos que estão com preços cada vez mais acessíveis. Atualmente, é possível adquirir um sistema de câmeras por R$ 1 mil. Mas por si só os aparelhos não impedem situações de furtos e invasões. Ainda é preciso a colaboração de moradores e funcionários.

Comportamentos que desrespeitam as regras de segurança podem pôr em xeque todo um sistema preventivo e deixar abertas as portas para a criminalidade.

Conforme o diretor das Escolas de Formação do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de Santa Catarina (Sindesp-SC), o oficial da reserva do Exército Joneval Barbosa de Almeida, o melhor resultado em segurança é alcançado ao equalizar a implantação de sistemas eletrônicos com meios humanos e organizacionais (normas e procedimentos). Nessa tríade, as atitudes dos condôminos ganham destaque, assim como a de porteiros e vigilantes.

Todo o esquema preventivo começa no controle de acesso. “Pesquisas apontam que a portaria é o ponto mais vulnerável dos condomínios. É por ali que entram e saem todos os moradores, prestadores de serviços e visitantes. É também por ali, motivado pela falta de estrutura técnica e organizacional, que entram as ameaças”, explica Almeida, que também é consultor de segurança condominial.

Normalmente o acesso de criminosos é facilitado pela postura inadequada de empregados e moradores. “É pelo funcionário que vai colocar o lixo na rua e deixa o portão aberto ou o morador que sai sem trancar a porta”, acrescenta o coronel da reserva da Polícia Militar de Santa Catarina, Fernando José Luiz, especializado em consultoria de segurança e análise de risco em condomínios.

Por isso, as empresas de serviços terceirizados estão investindo em capacitações de profissionais para condomínios. “As empresas entendem que o diferencial está na qualidade do serviço prestado e, por consequência, investem na formação destes profissionais”, observa Almeida.

Mesmo com uma boa formação, o trabalho de vigilantes e porteiros só será eficiente com o apoio e orientação da gestão do prédio. Um bom exemplo é o condomínio onde Scheila Delfino é síndica, no Continente de Florianópolis. Desde a instituição do edifício multifamiliar, há seis anos, trabalharam-se regras de posturas no condomínio, tanto para moradores quanto para funcionários. O acesso dos condôminos é biométrico e ninguém pode entrar sem documento de identificação na portaria e nas garagens.

“Muitas vezes, moradores reclamam que os porteiros barraram parentes, mas essa é a determinação que damos a eles. Se alguém burlar a regra, aplicamos advertências e multas. Exigimos essa postura sem exceções e fazemos reuniões com os funcionários para ouvirmos as dificuldades e melhorarmos constantemente a segurança”, relata Scheila.

No condomínio, corretores só entram com ofício da imobiliária. Nenhum tipo de entregador sobe, salvo o que leva as pesadas bombonas de água. Ainda assim, o morador tem de descer à portaria e acompanhá-lo. “Têm sempre aqueles moradores que reclamam, mas no geral, a gente percebe que a maioria se sente mais tranquila e até orgulhosa por morar em um prédio que presa pela segurança”, conta satisfeita Scheila.

Manual de segurança deve ser aprovado em assembleia

No caso do condomínio onde Scheila é síndica protocolos básicos de segurança sempre foram temas debatidos nas assembleias e assuntos do informativo distribuído periodicamente no prédio. Mas, após um condomínio vizinho ser invadido, surgiu a questão: o sistema de segurança e regras que seguiam eram eficientes? “Tínhamos algumas dúvidas, precisávamos conferir se o que estávamos fazendo era o certo”, conta Scheila. Foi então que os moradores resolveram contratar o serviço de um consultor de segurança para fazer uma análise do condomínio, dar treinamento para os vigilantes e desenvolver um manual.

No documento, há as regras de condutas dos moradores voltadas para a segurança, atribuições dos porteiros e vigilantes e as normas de atendimento de entregadores e prestadores de serviços. Um dos itens incluídos é referente às faxineiras e empregadas domésticas. Não basta a profissional se identificar na portaria, o morador precisa deixar uma autorização de acesso válida por seis meses. Também foram introduzidos procedimentos de como lidar se ocorrer situações de entrada de invasores e roubos. Além dos moradores terem cópias do manual, um exemplar fica para consulta na portaria.

Conforme os especialistas, o manual de normas de segurança em condomínio precisa ser aprovado em assembleia. E deve constar penalidades para quem as inflige, desde advertência a multas. O documento pode ser elaborado com apoio de um consultor.

O coronel da reserva da Polícia Militar de Santa Catarina, Fernando José Luiz, recomenda aos condomínios criarem um comitê de segurança, que deve incluir o síndico e pelo menos outros cinco condôminos. O grupo ficaria com a responsabilidade de analisar as vulnerabilidades do condomínio e apontar regras de posturas e fiscalizar. Caberia a essa equipe, junto a um consultor, criar a cartilha de segurança.

Além disso, o trabalho da comissão de segurança precisa ser permanente. É importante realizar reuniões, pelo menos trimestrais, para analisar se as normas estão sendo cumpridas e também para verificar novos pontos de vulnerabilidades.

Envolvimento social para diminuir os riscos na origem

De acordo com o coordenador do Programa de Especialização e Segurança da Unisul Virtual, Giovani de Paula, os moradores precisam enxergar a segurança como um dever do Estado sim, mas uma responsabilidade de todos. Qualquer movimentação suspeita nas redondezas, deve-se chamar a polícia pelo disque 190.

Para o especialista, as barreiras contra invasões e o comportamento preventivo dentro dos condomínios diminuem os riscos das pessoas serem alvos de criminosos dentro dos prédios, mas é preciso ir além quando se trata de um ambiente, uma região segura, para que os condôminos não fiquem presos dentro de seus próprios condomínios.

Nessa linha de análise, o empoderamento do espaço social onde os condomínios estão inseridos faz a diferença. A participação na comunidade do entorno, não apenas focadas em políticas criminais, mas a participação dos condomínios nos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs), colaboração na luta por melhoria na mobilidade, educação e emprego na comunidade. “É preciso trabalhar a cidadania na integralidade. Só assim as pessoas não vão ficar muradas nos condomínios. É um novo modelo de prevenção social, uma nova concepção: fazer a segurança pública com interação com a comunidade”, observa.

Aos funcionários

Estranhos devem ser atendidos com os portões fechados e do lado de fora, preferencialmente sem a possibilidade de contato físico
Pessoa estranha que pretenda visitar o morador, deve previamente ser identificada e autorizada pelo morador
Atenção especial deve ser dada aos momentos de coleta de lixo, entrega de correspondência (correios), serviço de água, energia, gás, internet, telefonia, tv a cabo. Muitos infratores usam desses expedientes para acessar o condomínio;
Os portões não devem ser abertos com a presença de pessoa em atitude suspeita na proximidade. Avise à polícia
Conhecimento sobre segurança é importante para todos, especialmente aos porteiros.

Aos moradores

A percepção do morador de que é peça importante na segurança de todos é fundamental
O “olho mágico”, na porta do apartamento, contribui muito para a segurança do morador

Altos valores em dinheiro na residência, objetos à mostra no interior do veículo na rua e depois na garagem do condomínio, podem despertar a atenção dos infratores e atentar contra a segurança de todos

Na saída da visita, certifique-se de que as entradas foram fechadas

Estranhos não devem ser informados dos hábitos dos moradores

Ao fazer a lista de seus convidados para confraternizações em casa ou salão de festas, pense na segurança de todos

Se for vítima de crime, mantenha a calma, não discuta nem reaja. Assim que tiver condições, ligue imediatamente para o telefone 190, procurando manter a calma e relatar o ocorrido, se possível, com características físicas e vestes dos infratores, bem como, dados do veículo utilizado na fuga, se for o caso.

À administração

Nas reuniões, sempre despertar os condôminos para a segurança, mesmo que tudo esteja bem

Estabelecer protocolos de emergência (como senhas, sinais, gestos), em caso de estar sendo vítima de crime, pode ajudar a alertar os demais condôminos, funcionários e a polícia.

Válido para condôminos e funcionários

Estabelecimento de protocolos para identificação e recebimento das visitas, entregas, serviços e outras atividades, são essenciais para a segurança de todos. Todos devem colaborar

Serviços externos comuns, como água, energia, telefonia, internet etc., devem ter seu andamento acompanhado pela administração e, preferencialmente, ter sido difundido anteriormente aos condôminos

Cautelas de identificação dos candidatos a funcionários são fundamentais. Dar preferência às indicações confiáveis diminui os riscos

Funcionários devem ser sempre treinados e lembrados quanto à segurança. Anormalidades observadas por estes devem ser reportadas à administração e, se for o caso, à polícia.

Fonte: http://condominiosc.com.br/

Segurança em condomínio é questão de atitude

Deixe um comentário